Conflitos: A Àfrica sob fogo cruzado

Boa parte dos conflitos armados em curso no mundo tem como motivação principal o controle por recursos naturais estratégicos, principalmente o petróleo. A situação não é diferente na Àfrica. A contradição entre as vastas reservas minerais e energéticas do continente e o cenário de fome, miséria e desemprego que aflige parcela considerável da população contribui decisivamente para elevar a tensão e originar guerras.

Ainda pouco explorados, os abundantes recursos, que incluem petróleo e pedras preciosas, são alvos de uma disputa acirrada, que envolve grupos armados, governos e também empresas, que tentam tirar proveito da instabilidade política e da fragilidade institucional de muitos Estados para explorar esses recursos. As guerras que surgem nesse contexto costumam ser financiadas com o lucro obtido da extração das riquezas naturais, envolvendo vários países no confronto- o maior exemplo é o que ocorre na República Democrática do Congo ( RDC).

As guerras também eclodem em regiões onde há escassez de recursos e muita desigualdade social. A pobleza de diversas populações acirra as tensões e provoca disputas por bens básicos, como água potável e terras cultiváveis, como ocorre e,m Darfur, no Sudão. Não por acaso,  a fase mais aguda dos conflitos coincide com o agravamento da situação econômica do continente, nos anos 1990, quando o acesso à alimentação e a pequenas fontes de renda se tornou mais disputado.

 

Raizes históricas

As tensões que se manifestam no continente são, em boa medida, herança do período colonial. A dominação das metrópoles sobre as colônias africanas muitas vezes se baseava na estratégia de ” divídir para dominar”: determinados povos recebiam tratamento privivilegiado das potências europeias, recebendo apoio para lutar contra outros grupos étnicos, o que alimentou as disputas pelo poder e a desigualdade. Com a independência das colônias africanas, especialmente a partir dos anos 1960, muitas rivalidades  de partido único, no qual ditadores permaneciam no poder favorecendo seu grupo e negligenciando os demais. Numa situação de escassez, essa opressão estimulou a ação rebelde de segmentos marginalizados e o surgimento de guerras civis.

As divergências  religiosas  também passaram a ser manipuladas para fomentar a discórdia. O islamismo expandiu-se pelo norte afric ano no século VII e atravessou o deserto do Saara a partir do século X, quando comerciantes árabes intensificaram o contato com povos da África Central e Ocidental. Foi assim  que o norte do Sudão, da Nigéria e da Costa  do Marfim tornaram-se  majoritariamente islâmico. No sul desses países , predomina o cristianismo, que chegou ao continente pelo litoral ocidental, trazidos pelos europeus a partir do século XV. Quando os europeus partilharam a África, no século  XIX, estabeleceram-se  colônias onde havia a divisão entre o norte  muçulmano e o sul cristão. As fronteiras  estabelecidas serviram de referência para  as dos atuais países.

É dessa forma que as rivalidades  étnicas e religiosas, exacerbadas pela dominação colonial, servem de combustível para conflitos cujas causas reais são, na verdade, disputas entre grupos sociais nos terrenos políticos ( por supremacia regional), econômico ( por acesso aos recursos naturais) e social ( pobleza e miséria).

 

Bibliografia:  Guia do estudante- atualidades

 

 

 

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